Oferta agradável a Deus

Muitas pessoas ficam preocupadas quando eu digo que não pertenço a nenhuma igreja. Explico melhor: eu não pertenço a nenhuma DENOMINAÇÃO. Pertenço, sim, à Igreja de Deus aqui na Terra (a mesma que será arrebatada): o corpo de Cristo, onde devo funcionar de acordo com o plano que Ele mesmo elaborou, e que o Espírito Santo está implantando em mim, segundo Romanos, capítulo 8. Entretanto esse é um outro assunto.

Uma pessoa me perguntou uma vez, na faculdade onde leciono: 'Se você não freqüenta uma igreja, como você faz para pagar os dízimos?' Após alguma conversa com esta pessoa, ela me falou do medo que ela tinha de 'não ir para o céu' (perder a salvação) caso não pagasse o dízimo, conforme tinham ensinado a ela.

Infelizmente, parece que grande parte das pessoas acreditam que, se não cumprirem determinadas tarefas para Deus, perderão a salvação. E se as cumprirem, passam a 'merecer' algumas bênçãos, como a salvação. Acreditam que, se não se esforçarem para agradar a Deus, cumprindo as ordenanças da lei de Moisés, estarão se afastando dEle. Porém, ao contrário do que imaginam, é justamente por agirem desta forma, por se apoiarem em seus esforços (ou por acharem que, 'por merecimento', chegam a usufruir de algumas bênçãos), é que elas estão se afastando de Deus.

Quando Adão morreu para Deus, todos nós morremos (espiritualmente) também, porque somos sua descendência. Afinal, um morto não pode dar à luz, vivos. E, uma vez mortos, espiritualmente, não tínhamos como nos relacionar com Deus, porque Ele é Espírito, segundo nos ensinou Jesus:

"Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade" - João 4:24.

Só podemos nos relacionar com Deus, em espírito. Paulo mesmo disse que coisas materiais, confrontamos com coisas materiais e coisas espirituais com espirituais. Deus se comunica conosco em nosso espírito humano, não com nossa alma (pensamentos, vontades, sentimentos, emoções) ou com nosso corpo - ainda que essa comunicação espiritual tenha reflexos no corpo e na alma.

Em sua infinita misericórdia, Deus havia planejado uma forma de fazer com que o homem voltasse a se relacionar com Ele. E a finalização deste plano seria através do sacrifício de Jesus. Enquanto esse sacrifício não acontecia, Deus se relacionava com o homem através da Lei de Moisés e dos profetas. Por isso se diz que a lei era o nosso aio (guia). Ela era uma espécie de solução provisória que nos guiaria por um tempo.

Deus não podia conversar diretamente com o homem porque este estava morto (espiritualmente) para Ele. Para andar segundo a vontade do Pai, bastava que o homem lêsse o que estava escrito na Lei e fizesse conforme ordenado ali. Aquele registro era a voz de Deus para os homens. Um conjunto de normas ditadas, diretamente pelo Altíssimo, para que todos andassem segundo a vontade dEle. E nenhum homem conseguia cumprir toda a Lei, por isso ela era cheia de sacrifícios de animais: para expiação dos pecados cometidos (descumprimento de algum mandamento de Deus). Ninguém havia conseguido cumprir toda a lei até que Jesus veio e fez isso em nosso lugar. Jesus fez o que nós não poderíamos ter feito. Estávamos mortos para Deus. E Jesus morreu em nosso lugar para nos resgatar, e ressuscitou para nos dar a Vida. Entrou em nossa condição (de mortos) e ressuscitou, vencendo a morte que nos prendia. E, quando Ele fez isso, nos deu a chance de vencer a morte com Ele, bastando, para isso, crermos que Ele, o Filho unigênito, cumpriu o plano de resgate e Vida, elaborado pelo Altíssimo. A única coisa que Deus espera de nós, agora, é que nós creiamos em tudo que Jesus (a Palavra) é, de fato.

Jesus, a Palavra

Veja o diálogo entre Jesus e alguém que o seguia e que queria 'fazer coisas' para Deus:

"Disseram-lhe, pois: Que faremos para executarmos as obras de Deus? Jesus respondeu, e disse-lhes: A obra de Deus é esta: Que creiais naquele que ele enviou" - João 6:29.

Mais uma vez:
A única coisa que Deus espera de nós, agora, é que nós creiamos em tudo que Jesus é. E Ele é a Palavra, como está escrito:

"No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade." - João1:1,14.

Jesus é a Palavra de Deus. A mesma Palavra que Deus usou quando disse "Haja Luz". A mesma Palavra usada para criar o homem à Sua imagem e semelhança. A Palavra que criou tudo! Por isso se diz que Jesus estava presente na criação e, por Ele, tudo se fez. Desde o princípio de tudo, Deus se manifesta de 3 formas simultâneas: Pai, Filho e Espírito. Na criação, estavam o Pai, a Palavra e o Espírito. Porém, os versículos acima dizem que o Verbo, ou seja, a Palavra, se fez carne. Jesus estava presente na criação porque Ele é a Palavra de Deus. Mais adiante veremos as implicações disso no cumprimento da obra de Deus.

O profeta Malaquias diz, no capítulo 3, no verso 8:

"Roubará o homem a Deus? Todavia vós me roubais, e dizeis: Em que te roubamos? Nos dízimos e nas ofertas."

Podemos observar que se fala em 'dízimos' no verso acima. Mas... que 'dízimos'? Será que são os mesmos dízimos estabelecidos por Moisés, como, por exemplo, em Levítico, capítulo 27, verso 30? Será que, então, vivemos, em parte, na antiga aliança, onde ainda temos algumas obrigações para cumprir com Deus? Bem, sabemos que não devemos cumprir a lei em parte, pois Paulo disse:

    "Todos aqueles, pois, que são das obras da lei estão debaixo da maldição; porque está escrito: Maldito todo aquele que não permanecer em todas as coisas que estão escritas no livro da lei, para fazê-las." - Gálatas 3:10.

Me parece que nós temos uma grande dificuldade de aceitar o fato de que não precisamos fazer nada para viver no Reino de Deus. Aliás, existe essa dificuldade por acharmos que Deus nos recompensa por 'merecimento'. Ou seja, se formos bons (moralmente falando), teremos benefícios de Deus, se formos maus, teremos castigos de Deus. Mais adiante, citamos o caso do ladrão que foi crucificado ao lado de Jesus. Será que ele 'merecia' estar com Jesus no paraíso, conforme o Mestre prometeu? Sabemos que ele não tinha sido bom, pois era ladrão. E, mesmo assim, estaria com Jesus no paraíso. Então não pode existir 'merecimento'.

Corre por aí um dito, falso, de que estaria escrito, em algum lugar da Bíblia, algo como: 'faça da tua parte, que da minha eu farei'. Não existe essa afirmação na Palavra. Mas muita gente parece se sentir bem por estar 'colaborando' de alguma forma com o que Deus supostamente espera que façam (ir ao culto aos domingos, pagar dízimos, fazer campanhas, jejuns coletivos etc). E, para ficar mais completo ou espiritual, encontram respaldo para coisas em partes da lei de Moisés.

Observe que, se alguém quiser ser justo diante de Deus pelo cumprimento da lei, uma parte pequena dela que seja, como o dízimo, está obrigado a cumprir TODA A LEI. Isto está destacado no versículo citado (Gálatas 3:10), onde se diz que estará debaixo de maldição aquela pessoa que, querendo se fazer 'merecedora' por meio da lei de Moisés, "não permanecer em TODAS as coisas que estão escritas". Muitos de nós já tivemos a oportunidade de ler o antigo testamento e sabemos que existem tantas normas a serem cumpridas na lei de Moisés que é realmente impossível alguém cumpri-la por inteiro, sem falhar em nenhum ponto. Sei que alguém vai me dizer que até Jesus ensinou sobre o dízimo. Mas vamos tratar disso depois.

Felizmente Deus não quis nos salvar através da lei. Ela era apenas uma sombra do que Jesus seria. Mesmo as pessoas que viveram na época da lei de Moisés, foram salvas por Jesus Cristo, isto é, pela certeza de que, um dia, viria o Cristo habitar entre nós, trazendo o reino de Deus. Observe:

"Todos estes (os antigos) morreram na fé, sem terem recebido as promessas; mas vendo-as de longe, e crendo-as e abraçando-as, confessaram que eram estrangeiros e peregrinos na terra." - Hebreus 11:13.

Eu imagino que muitos, dos que viveram antes de Cristo, duvidaram da promessa (assim como hoje), talvez porque ela estivesse demorando (segundo o tempo que eles imaginavam), ou talvez por algum outro motivo. Mas, ao contrário, também alguns creram nela. E esses, que tiveram fé, foram salvos por crerem na promessa do Cristo que havia de vir. Apenas por crerem nesta Palavra, que se realizaria muitos anos após terem morrido. E foram salvos porque preferiram crer no que Deus estava lhes dizendo, ao invés de crer naquilo que viam com seus próprios olhos. E isso foi a salvação deles.

Resgatados, Unicamente por Fé

Jesus é, de fato, nossa única condição para viver no Reino de Deus. Quando o carcereiro, que vigiava a prisão onde estavam Paulo e Silas, perguntou o que deveria fazer para ser salvo (viver no Reino de Deus), a resposta que ele obteve foi: "(...) Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo, tu e a tua casa." (Atos 16:31). A salvação só tem uma condição: crer. Nós não devemos pensar em completar essa condição com outras coisas mais, como atos de caridade, por exemplo. Atos de caridade são obras louváveis, mas não tem valor nenhum para a ressureição espiritual do homem. São obras da carne, que deixam a alma mais tranqüila, com sensação de 'estar sendo bom e útil', mas não dão a salvação, nem tiram a salvação de ninguém. Na verdade, um coração cheio de amor pelos outros é também uma conseqüência do 'crer em Jesus', mas não é uma condição que determina a salvação. Quando a pessoa nasce do Espírito, as mudanças que são realizadas dentro dela, dia após dia, com certeza a levarão a ter amor por todas as pessoas. Mas isso vem de dentro para fora. Eu conheço pessoas muito caridosas mas que não tem nenhum contato com Deus. Tudo que fazem é função da criação que receberam ou do que consideram moralmente correto. São obras vãs. Louváveis, mas vãs. Jesus mesmo disse:

"Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma? Ou que dará o homem em recompensa da sua alma?" - João 16:26.

Jesus explica aqui que não adianta fazermos coisas que, aos homens parecem ser boas. Ao fazer coisas boas aos olhos dos homens, estamos ganhando o mundo. Mas e a nossa alma (aqui tem o sentido de espírito)? Na continuação do versículo ele repete a pergunta de uma outra forma: "que dará o homem em recompensa da sua alma (espírito)?".  O que dará o homem? Caridade? Jejuns coletivos? Atos que o glorifiquem diante dos homens? Que provem, diante de Deus, ser ele merecedor do reino dos Céus? Tudo isso é ganhar o mundo. E perder a alma. Jesus nos disse o que deveríamos fazer. Por que essa mania de não fazer apenas o que Deus mandou, que é muito mais fácil?

Devemos nos lembrar o que Jesus disse para o ladrão crucificado ao lado dele, quando aquele o pediu para ser lembrado depois que morresse: "(...) Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso." (Lucas 23:43). E sabe por que Jesus disse isso? Porque aquele ladrão havia acabado de confessar que Jesus era Senhor (Deus, que manda no céu e na terra): "(...) Senhor, lembra-te de mim quando entrares no teu reino" (Lucas 23:42).

Em contraste com aqueles que pensam que devem fazer algo além de crer, existem aqueles que acham que a obra de Deus acaba quando são salvos. 'Crer' em Jesus significa crer em muitas promessas, feitas por Deus, que se concretizariam quando ele viesse. Promessas de saúde, de sustento, de perdão, de ânimo, de paz, enfim... de prosperidade. 'Crer' em Jesus engloba crer em tudo isso. E 'crer' significa 'viver de acordo'. Assim, exatamente da mesma maneira como nós cremos que Ele é o nosso salvador e, por isso, vamos habitar com Ele no paraíso, independente do que aconteça aqui, devemos também crer que temos saúde, sustento, perdão etc. Independente do que aconteça aqui. Ou alguém acha que perderá a salvação se tiver problemas? Da mesma forma, não perderá a saúde (mesmo que, momentaneamente, sintomas de alguma enfermidade apareçam) nem o sustento (mesmo que, momentanemanete, pareça não ter recursos) etc. Parece-me que temos uma fé bem operante para crer que somos salvos. Mas não temos essa mesma fé operante para crer que somos sarados de tudo, por exemplo. A fé, nós temos, é dom de Deus, só que deveríamos desenvolvê-la e aprender a usá-la da mesma forma para qualquer situação.

Para sermos salvos (viver no Reino de Deus), basta-nos crer. E mais nada.

Se alguém acha que tem a obrigação de pagar o dízimo do seu salário, também deveria achar que tem a obrigação de realizar os holocaustos e sacrifícios (Deuteronômio  12:11) e ainda dar o dízimo de tudo quanto ganhar, segundo Deuteronômio 14:22 (dízimo de suas roupas, seu carro, seus presentes de aniversário...), celebrar as festas, se circuncidar etc. Já se imaginou tendo que sacrificar, ao Senhor, o primogênito de todo o seu rebanho? Não vou entrar em detalhes, mas vou dizer que são muitas as coisas que a lei ordena. Não basta apenas cumprir a lei do dízimo. Aqueles que esperam obter a salvação através das obras da lei, tem que cumprir TODA a lei de Moisés, ou estará debaixo de maldição.

Alguns Judeus, da época de Paulo, que haviam se convertido, estavam modificando sutilmente o Evangelho, dizendo que os gentios que se convertessem deveriam se circuncidar. Você acha isso um absurdo, porque é uma ordenaça antiga da lei de Moisés, que não existe mais no Evangelho? Pois eu digo que hoje, nos tempos em que vivemos, existe muita gente pregando que aqueles que se convertem devem pagar o dízimo de seu salário à igreja que freqüentam. Veja o que diz o apóstolo:

"E de novo protesto a todo o homem, que se deixa circuncidar, que está obrigado a guardar toda a lei." - Gálatas 5:3.

Note que a responsabilidade é "de todo homem, que se deixa circuncidar". A responsabilidade por andar na nova aliança é sua. Se você resolver andar na velha aliança, também terá inteira responsabilidade por isso. Quem escolhe como vai andar, se na morte da lei de Moisés, ou na Vida da lei de Jesus, é você. Você é livre para escolher. Quem nos submete à escravidão de sistemas que nos obrigam a andar em obras da lei, somos nós mesmos. Não adianta dizer 'mas faz parte das normas da igreja que eu freqüento, pagar os dízimos'. Quem escolheu estar ali, de acordo com as normas deles (não de Deus) foi você. E você é quem está optando por continuar ali. Não diga que esses dízimos foram impostos por Deus (como te ensinaram) e não culpe o sistema religioso em que você se encontra, porque ninguém, nem mesmo Deus, te obrigou a estar ali. Talvez algumas pessoas tenham sido pressionadas (pelos amigos ou pela família) para estarem ali, naquele 'sistema religioso', cumprindo as normas daquele lugar, mas tinham toda a liberdade de dizer 'não'. É mais importante fazer o que Deus manda, do que fazer o que os homens mandam. Não faça as coisas porque disseram para você fazer. Pergunte a Deus, e Ele, com certeza, te dirá o que fazer, através da sua Palavra. Meditar a Palavra de Deus leva tempo, mas é importante para que Deus possa nos ensinar. Peça a Ele sabedoria. Veja o que está escrito:

"(...) Julgai vós se é justo, diante de Deus, ouvir-vos antes a vós do que a Deus" - Atos 4:19.

Ensinados por Deus

"E a unção que vós recebestes dele, fica em vós, e não tendes necessidade de que alguém vos ensine; mas, como a sua unção vos ensina todas as coisas, e é verdadeira, e não é mentira, como ela vos ensinou, assim nele permanecereis." - 1 João 2:27.

Muita gente vive agradando a homens e contrariando a Deus. Como contrariando? Simplesmente deixando de ouvir (desprezando) a direção que Ele dá através do Espírito Santo. Deixando de se servir da mesa que Ele nos oferece. A maioria das pessoas pensa que Deus não quer nos abençoar em certas áreas, ou não se importa com isso. Ou mesmo se cansam de esperar por uma cura, ou uma restauração financeira, ou familiar... e por isso julgam que não era a vontade de Deus abençoá-las naquele ponto. Adaptam a Palavra de Deus às suas vidas, ao invés de deixar o Espírito Santo tornar as suas vidas conforme a Palavra. Toda vez que ignoramos o que Deus nos oferece, ou seja, toda vez que não conseguimos nos servir da sua mesa e desistimos de chegar à vitória, por achar que 'crer, somente', não está adiantando, desonramos o nosso Deus, como diz o profeta Malaquias:

"Mas vós o profanais (o nome de Deus), quando dizeis: A mesa do SENHOR é impura, e o que nela se oferece, isto é, a sua comida é desprezível." - Malaquias 1:12.

É melhor crer no que Deus diz. Se você escolher ouvir o que a maioria dos homens dizem, pagando o dízimo, segundo a lei, você se colocará na obrigação de cumprir TODA A LEI. O dízimo não é uma norma imposta por Deus para nós, que vivemos na nova aliança. Se você pensa assim, está obrigado a guardar toda a lei. Caso contrário você estará sob maldição. É impossível viver, ao mesmo tempo, na lei de Moisés, e na lei da liberdade de Cristo.

Por acaso algum de nós foi salvo por pagar o dízimo? Ou por fazer holocaustos? Ou por se circuncidar? Por acaso Deus se comporta de um jeito, no momento em que você é salvo (dando isso de graça para você), e depois resolve cobrar alguma coisa para 'manter a sua condição de abençoado'? Somos salvos sob o regime da lei? Veja o que diz o apóstolo:

"Só quisera saber isto de vós: recebestes o Espírito pelas obras da lei ou pela pregação da fé? Sois vós tão insensatos que, tendo começado no Espírito, acabeis agora na carne" - Gálatas 3:2,3.

É possível que muitos de nós não entendamos completamente a seriedade do alerta acima, por não estarmos tendo um relacionamento real com Deus. Não temos tido uma vida direcionada pelo Espírito, como seria o correto. Na época em que foi escrita a carta aos Gálatas, a ação do Espírito Santo na vida dos cristãos era tão real, tão concreta, que Paulo pôde usar isso como argumento daquilo que falava. Eles haviam recebido o Espírito Santo e experimentavam o poder dEle em suas vidas em todo instante!

Quando ouvimos falar do Espírito Santo hoje, nas igrejas, Ele lembra, muito mais uma energia boa. Não quero dizer, com isso, que estejam ensinando que o Espírito Santo é uma energia (ainda que exista esse tipo de ensino absurdo em alguns lugares).  Ensinam, de maneira geral, corretamente, que Ele é uma pessoa, não uma energia. O problema é que nos ensinam e nos apresentam um Espírito Santo tão apático e sem finalidade prática que Ele acaba se parecendo com uma influência positiva apenas. Grande parte dos cristãos que possuem o Espírito Santo, 'usam os serviços' dEle da mesma forma que usariam um amuleto de boa sorte (Jesus deixou claro que o Espírito Santo nos revelaria o pecado, a Justiça e o Juízo - isso é diferente de ser um 'amuleto de boa sorte'). É inadmissível termos Deus, o Espírito Santo, habitando dentro de nós e, na maioria das vezes, não sabermos o que fazer para que todo esse poder seja colocado para operar em nosso favor.

É muito importante ter consciência de que Deus é um Deus de poder (que promove mudanças reais em nós), não de teoria apenas. Os Gálatas experimentaram o poder o Espírito Santo de maneira concreta em suas vidas, por isso, podiam entender a exortação de Paulo. E a exortação não é para os Gálatas somente. É para cada um de nós, nos dias de hoje. Fomos criados para ter, em nossas vidas, essa mesma experiência de poder que os Gálatas tiveram. Mas parece que, por falta de prática da Palavra, o que muitos conseguiram até agora foi apenas ter dificuldade em entender a gravidade do que está sendo alertado por Paulo.

Novamente é ressaltado, desta vez, aos Tessalonicenses, que temos dentro de nós um tesouro, mas que podemos passar a vida inteira sem usufruir dele. Isso por não sabermos da grandeza do que possuimos e como utilizá-lo. Veja o que diz o apóstolo:

"Não apagueis o Espírito" - 1 Tessalonicenses 5:19.

É possível termos, dentro de nós, o Espírito Santo, e nunca seguirmos as suas orientações. É possível vivermos a nossa vida inteira com Deus habitando em nós e não conseguirmos fazer com que isso tenha conseqüências reais em nossas vidas. Falaremos disso mais adiante.

Ninguém foi chamado para cumprir lei alguma. Jesus cumpriu a lei por nós. Fomos chamados para andar na lei da liberdade em Cristo e não nas obras da lei de Moisés. Nessa nova aliança, não existem normas nem ordenanças. Não existem cerimônias e nem culto às coisas naturais. Deus não precisa de dízimos (dinheiro). Nunca precisou. E não existe isso de 'estar apenas devolvendo a Deus o que Ele te deu'. 'Dízimo', da forma como é praticado hoje, é uma expressão de avareza do ser humano. Deus não pediu que nós 'devolvêssemos' nada quando nos salvou. Quando nós escolhemos a salvação de Cristo, para a qual fomos criados, nos tornamos inteiramente dEle (mesmo que muitos ainda insistam em viver suas vidas, em parte, com Deus e em parte alheias a Deus. Insistem em ter duas vidas distintas: 'vida secular' e 'vida da igreja'. E ainda chamam isso de vida 'equilibrada'.). Ele deu o seu único filho por nós. De onde foi que tiraram essa idéia de que ele quer uma parte das bênçãos de volta? Da antiga aliança! Aquele que deu o seu único Filho por nós, porventura não nos dará gratuitamente todas as coisas? Ou será que devemos 'devolver' 10% para Ele?

O que eu quero dizer com isso? Que o dízimo era uma ordenança da lei. Mas você vai me perguntar: 'E o que diz o profeta Malaquias afinal?'

"Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa, e depois fazei prova de mim nisto, diz o Senhor dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu, e não derramar sobre vós uma bênção tal até que não haja lugar suficiente para a recolherdes." - Malaquias 3:10.

Vamos entender algumas coisas. "Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa (...)". O que é a 'casa do tesouro'? Não é o mesmo lugar que Ele chama de 'minha casa', onde Ele habita? Agora veja:

"Mas o Altíssimo não habita em templos feitos por mãos de homens (...)" - Atos 7:48.

"(Jesus Cristo) No qual também vós juntamente sois edificados para habitação de Deus, no Espírito" - Efésios 2:22.

Se devemos levar o 'dízimo' a algum lugar, com certeza não é à igreja. Deus habita em nós, como podemos observar nos versículos acima. Nós somos a 'casa do tesouro'. Então, esse 'dízimo', do qual fala Malaquias, deve ser entregue, por nós, para nós mesmos, para o nosso espírito, de alguma forma. É sempre bom lembrar que a lei é espiritual, não natural.

E para quê servem os 'dízimos', citados pelo profeta? "(...) para que haja mantimento na minha casa (...)". Para que haja mantimento, algo que nos sustente, em nós mesmos. E o que é que nos sustenta? Lembram-se do que Jesus falou?

"(...) Eu sou o pão da vida (...)" - João 6:35.

Será que dá para entender que o nosso alimento (mantimento, sustento), o nosso pão, é Jesus? E quem é Jesus? Vimos, no início, que Jesus é o Verbo Vivo, ou seja, a Palavra, que existe desde antes da fundação do mundo, por meio de quem foram criadas todas as coisas. Quando Jesus diz "Eu sou o pão da vida", Ele TAMBÉM está dizendo 'a Palavra é o que sustenta a Vida'. E isso é novamente confirmado quando Ele diz:

"(...) nem só de pão (alimento físico) viverá o homem, mas de toda a palavra de Deus" - Lucas 4:4.

O 'dízimo', aquilo que sustenta (o mantimento) a casa de Deus, que somos nós, é Jesus, a Palavra. E a conseqüência disso é que "viverá o homem". Poderíamos ler a primeira parte do versículo de Malaquias da seguinte forma: Trazei toda a Palavra para dentro de vós (para o espírito), para que tenham Vida.

Orando no Espírito

Em Efésios 6:18, aprendemos que devemos tomar a "espada do Espírito, que é a Palavra de Deus, com toda oração e súplica (como?) orando todo o tempo no Espírito". Observe a forma correta de se tomar a Palavra, a espada do Espírito: "(...) orando todo o tempo no Espírito". Isto é, quem traz a Palavra para dentro de nós de maneira eficaz, quem torna Vivas as palavras que estão registradas na Bíblia, é o Espírito Santo, através da oração em línguas. Muitas pessoas perdem um tempo precisoso estudando exaustivamente a Palavra de Deus. Então formam-se teóglogos, pastores, bispos etc... que nunca sequer utilizaram a oração no Espírito, que, segundo o que está escrito é a forma correta de se tomar a Palavra. Em outras palavras, apagam o Espírito Santo. Possuem tanto poder dentro de si e, no entanto, não têm nenhuma ação para que esse poder saia de dentro delas e seja utilizado em favor delas mesmas, para sua própria edificação. Ficam horas fazendo exercícios mentais, um completo enfado. Isso também é uma obra da carne, obra vã. Desprezaram aquilo que é servido na mesa do Senhor, a oração no Espírito, a oração perfeita que Deus nos deixou e "inculcando-se por sábios, tornaram-se loucos (...) e honraram e serviram mais a criatura do que o Criador (...)" (Romanos 1:22).

Sei que alguns vão dizer: 'Ah, mas orar no Espírito não é orar em línguas. Eu oro no Espírito quando fico quietinho, em silêncio, falando com Deus. Isso que é orar no Espírito'.

Cuidado com o engano. É preciso examinar o que diz a Palavra, sempre. Sei o que parece a expressão 'Orar no Espírito', porque isso também me incomodou durante algum tempo, quando comecei a orar em línguas. É preciso examinar isso na Palavra, porque Ela é quem está apta para discernir (julgar, segundo Deus) aquilo que eu acho (alma), daquilo que é realmente a Verdade (Espírito). Veja o que está escrito em 1 Coríntios:

"(...) o que fala em línguas (...) em espírito fala (...)" - 1 Coríntios 14:2.

"(...) se eu orar em línguas, o meu espírito ora (...)" - 1 Coríntios 14:14.

Vamos examinar isso mais de perto: quem fala em línguas, fala em espírito. Logo, orar em espírito significa orar em línguas. Quando você ora em silêncio, sem pronunciar palavras, você está orando EM PENSAMENTO. Orar em pensamento não é orar em espírito. Orar em espírito, ou orar no Espírito Santo, é orar com a linguagem que Ele nos dá, que ninguém entende, é orar em línguas. E Paulo nos diz que devemos fazer isso todo o tempo:

"Orando em todo o tempo no Espírito (...)" - Efésios 6:18.

A oração no Espírito, é a oração perfeita, segundo a vontade de Deus. Você pode achar que Deus está quase nos deixando de lado no processo de nossa própria edificação. Mas Ele está fazendo exatamente isso mesmo. A edificação só depende de você, no sentido que você deve obedecer a orientação da Palavra, que diz que devemos orar em línguas. O resto é com Ele. Faça o que Ele manda e verá como será bem sucedido. Cuidado para não achar que está trocando algo por uma bênção, prática que estamos combatendo.

Atenção! Não estou dizendo que, se você começar a orar em línguas, Deus, que não te abençoava antes, começará a te abençoar, como forma de recompensa. Deus não muda de comportamento em função das nossas decisões. Desde o princípio já nos está proposto dois caminhos: um, que nos leva a bênçãos, e outro, que nos leva à morte. Podemos escolher. Observe:

"Os céus e a terra tomo hoje por testemunhas contra vós, de que te tenho proposto a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe pois a vida, para que vivas, tu e a tua descendência" - Deuteronômio 30:19.

Observe que existem duas escolhas diante de nós desde há muito tempo. As decisões de Deus não são tomadas em um momento. Elas já foram tomadas há muito tempo. Cabe a nós escolhermos o caminho em que vamos andar. É por falta de conhecimento de nosso Pai que nós pensamos que Ele encontra-se sentado em Seu trono e, de repente decide 'recompensar' alguém, depois de ver que aquela pessoa andava longe dEle, e que resolveu começar a orar em línguas. Se fosse dessa forma, o fato de você orar em línguas, estaria mudando o posicionamento de Deus com relação a você! Isso não é assim. Deus não tem problemas nem precisa de mudanças. Ele nos abençoou com seu filho Jesus Cristo, há mais de dois mil anos. Nós é que temos problemas e necessitamos de mudanças urgentes. Ele está clamando: "
escolhe pois a vida, para que vivas". Quando oramos em línguas, o Espírito Santo promove mudanças em nós, somente. Deus sempre quis nos abençoar, tanto que enviou o seu único filho para morrer por nós. É muito comum não usufruirmos das bênçãos oferecidas pelo Pai. Por que? Porque não cremos. Porém, não deveria ser assim.

Você deve estar pensando: 'Se não é assim, digo, se Deus não vai me recompensar por estar orando em línguas, o que irá acontecer então?' A oração em línguas muda o nosso interior, para que passemos a crer, e crendo, nos coloquemos em posição de receber, de Deus, aquilo que Ele sempre esteve pronto para nos dar. Já vimos que as bênçãos de Deus, mesmo que,
algumas vezes, pareçam uma recompensa por nossos atos, já estão determinadas desde há muito tempo. Cabe a nós nos colocarmos no lugar correto para recebê-las. Veja o que diz em Hebreus:

"(...) é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam" - Hebreus 11:6.

Observou que 'é necessário que creiamos'? Creiamos em que? Creiamos que Deus existe. Creiamos que ele é galardoador. Crermos que Ele existe é uma parte muito importante. Mas devemos crer, também, que Ele quer nos abençoar (que Ele é galardoador). Por que? Porque se não for assim, não conseguiremos usufruir do que Ele nos oferece. Crer, é se colocar em um lugar onde é possível receber a graça de Deus. Mas o ato de 'ir para esse lugar, onde podemos receber de Deus', é uma mudança interior, não física. Desde que Jesus ressuscitou, temos, à nossa disposição, todas as promessas feitas a Davi. Mas é necessário que cada um de nós "(...) creia que Ele existe, e que é galardoador (...)", para que possa usufruir dessas bênçãos que já estão lá.

Por causa da nossa liberdade de escolher como queremos viver (livre arbítrio), Deus não nos obriga a nada. Nem mesmo a usufruir das bênçãos. Somos livres para nos fazermos servos de Deus, por amor. Por exemplo, se eu tenho um problema no meu casamento, então '
é necessário que eu creia que Deus existe e que Ele é quem soluciona o problema no meu casamento'. Se o meu problema é falta de paz, então 'é necessário que eu creia que Deus existe e que Ele é a minha paz'. E serve para qualquer situação. É nesse ponto que percebe-se importância crucial do Espírito Santo dentro de nós. Ele é quem vai testemunhar a favor dessas duas verdades em nosso íntimo, para que possamos mudar, por dentro, e crer, entendeu? Ele não vai mudar Deus, mas vai mudar a nossa condição de fé.

Quando cremos em Jesus, nos encontramos em uma condição lamentável. Vou ilustrar essa condição, por meio de uma pequena história onde eu mesmo sou o personagem principal. Imagine que estou em um deserto e uma pessoa se chega para mim e diz que existe chuva ali mas, para aproveitar da chuva, tenho que ser salvo por Jesus. Depois de muita resistência, e de ser muito maltratado naquele deserto, passando sede e fome e sendo consumido pelo calor intenso, resolvo, já bastante esgotado, aceitar a salvação que vem por Jesus. De todo o coração, confesso então a Cristo como meu único Salvador. Agora, a chuva existe no deserto... ou pelo menos aquela pessoa me disse assim. Ela me disse também que essa chuva é farta, mas... continuo não vendo água alguma. Continuo com sede... Olho mais uma vez para o céu, com os olhos apertados por causa do Sol, e fico pensando: 'cadê a tal chuva que me prometeram que estaria aqui?'. Daí aquela pessoa diz: 'olhe pro lado'. Quando olho para o lado, eis que vejo a chuva, do outro lado de um abismo. E fico admirado com tanta água, porque antes, nem sabia que existia água naquele lugar. Mas agora, alguém me mostrou a chuva e posso vê-la... de longe. Isso mesmo, ela não está sobre mim. Então penso: 'Vou orar para que aquela chuva venha até mim, neste deserto.' E fico clamando para que Deus derrame aquela chuva sobre mim... e nada! A chuva continua caindo, ao longe. Depois de muito falar, canso! Aquela pessoa então me diz que não estou conseguindo a chuva porque não estou sabendo o que fazer para que ela caia sobre mim; e diz também, que a única maneira da chuva cair sobre mim é o Espírito Santo vindo habitar em mim. Penso... 'Ah! Deve ser isso então! Eu não tenho o Espírito Santo'. Então peço a Deus o Espírito Santo. E posso fazer isso, porque agora sou salvo. E Deus, imediatamente, envia o Espírito Santo para habitar em mim. E... nada acontece ainda. O Sol continua quente, o deserto continua seco e eu continuo com calor e com sede... na verdade, agora estou prestes a morrer. Mesmo salvo e com o Espírito Santo habitando em mim, estou prestes a morrer. Já cansado de orar pela chuva, decido começar a orar em línguas, já que tenho o Espírito Santo. No começo parece que nada mudou. Na verdade, parece que a sede continua aumentando e o Sol até está mais quente. Mas resolvo perseverar, orando em línguas, todo o tempo. Aos poucos, percebo que a chuva está se aproximando mas... espere! Não! Sou eu quem está se aproximando da chuva. Ela está lá, no lugar onde sempre esteve, do outro lado do abismo, mas agora, estou sendo levado para perto dela, por sobre o abismo, e sem cair. A oração em línguas não mudou aquela chuva de lugar. Não me tirou do deserto. Porém, agora fui levado a um lugar, ainda no meio do deserto, onde tem chuva. E passei por cima de um abismo que eu sei que não teria condições humanas de passar. Ainda me encontro naquele deserto, só que agora, em uma região de chuva, que não tem as características do deserto, mesmo sendo parte dele. A oração em línguas me tirou de uma condição de sofrimento, para uma condição de alívio. Não mudou o mundo ao meu redor, pois ainda estou no deserto. À minha volta, posso ver muitas pessoas sofrendo ainda, e não sabendo como atravessar o abismo ou, às vezes, nem mesmo vendo que está chovendo aqui onde estou. A oração no Espírito me mudou de lugar, para que eu pudesse receber a bênção da chuva, mesmo continuando no deserto. É incrível que aquela pessoa que havia se chegado a mim no deserto, me falara a respeito da chuva, me contara que ela existira e até me mostrara onde ela estava. E eu havia acreditado em tudo que aquela pessoa falara. Havia acreditado na palavra que ela me dissera. Mas só quando comecei a orar em línguas foi que pude realmente experimentar a chuva, porque aí sim, o Espírito Santo promoveu mudanças em mim.

É um erro achar que, orando em línguas, mudamos Deus. A oração no Espírito, nos muda por dentro, para uma condição apropriada para receber de Deus. Ao orar em línguas, aquela Palavra que lemos na Bíblia, ou que alguém nos conta na rua, ou que ouvimos de um homem de fé... aquela Palavra que estava em nossa mente, passa para o nosso espírito. A Palavra que ouvimos dos homens, é colocada em nossa mente. A Palavra que ouvimos do Espírito Santo, é colocada em nosso espírito humano. Por isso se diz que a letra (somente) mata, mas o Espírito vivifica (a Palavra). Existem pessoas que freqüentam os cultos de domingo em suas igrejas, há anos, que conhecem a Bíblia de Gênesis a Apocalipse... já ouviram todo tipo de pregação que se possa imaginar... mas parece que não conseguem ter fé para se livrar nem de problemas simples. Será que Deus não deseja livrá-las dos problemas em que se encontram? Claro que Ele deseja. O problema é que, após anos freqüentando os cultos, ouvindo as pregações e lendo a Bíblia essas pessoas possuem toda a teoria em suas mentes mas, por nunca terem praticado a oração em línguas, tudo aquilo não passa de teoria. Elas
até possuem o Espírito Santo, porque já o pediram a Deus. Têm toda condição de orar em línguas, mas não o fazem. Têm a espada que é a Palavra, em suas mentes. Mas não deixam o Espírito tomar a Palavra, para vivificá-la, fazendo-a produzir frutos. Bastaria, para isso que passassem tempo orando em línguas.

Então agora sabemos que a maneira correta de tomar a Pavra de Deus, e levá-la para dentro de nós, para que produza mudanças, é orando em línguas. A Palavra só não adianta. A oração, somente, não adianta. Ambas juntas é que produzem os resultados, ainda que a oração em línguas sempre, repito, sempre, irá nos levar para a Palavra. Sei de pessoas que foram batizadas com o Espírito Santo e começaram a orar em línguas (como deve ser sempre), porém não gostavam muito de passar tempo lendo a Bíblia. Uma das primeiras mudança que o Espírito fez nestas pessoas, foi levá-las para a Palavra. Mas por que isso acontece? É muito simples. O Espírito Santo não nos diz nada diferente do que Jesus disse. O próprio Mestre nos ensinou: "Ele me glorificará, porque há de receber do que é meu, e vo-lo há de anunciar" (João 16:14).


Então, até agora, poderíamos entender a passagem de Malaquias da seguinte forma:
Trazei toda a Palavra para dentro de vós (para o espírito), através da oração em línguas, para que tenham Vida.

E Jesus disse ainda:
"(...) quando jejuares, unge a tua cabeça (...) para não pareceres aos homens que jejuas (...) Não ajunteis tesouros na terra (...) ajuntai tesouros no céu (...) Porque, onde estiver o vosso tesouro, ali estará também o vosso coração (espírito)" - Mateus 6:17-21.

Jesus fez essa comparação de 'tesouros na terra' e 'tesouros no céu', para nos mostrar que o verdadeiro dízimo, o verdadeiro pão, que é a Palavra, nós conseguimos não diante dos homens. Fazendo coisas porque alguém nos disse para fazer, conseguiremos apenas ajuntar tesouros na terra (conferindo coisas materiais com coisas materiais). Mas Jesus ensinou o valor que a prática da Palavra
em particular (oração em línguas, louvor, adoração, meditação na Palavra e jejum), sozinho em casa, tem para que ajuntemos tesouros no céu. Ou seja, é lá dentro do meu quarto, de portas fechadas - onde não tem mais ninguém além de Deus comigo, é nesse lugar onde eu me aquieto, praticando a Palavra, que levo os dízimos (a Palavra) para a casa do tesouro (para dentro de mim).

O Resultado

Sei que até agora tudo é novo e fantástico. Mas não pára por aí. Deus é muito criativo e sempre tem algo novo para nós. O que considero fantástico é a promessa dEle, logo a seguir, na continuação do versículo de Malaquias 3:10, que anula a nossa incredulidade, que prova que quem responde pela Palavra, para que ela se cumpra, é realmente (e unicamente) Deus: "e depois fazei prova de mim nisto, diz o Senhor dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu, e não derramar sobre vós uma bênção tal até que não haja lugar suficiente para a recolherdes".

O que Deus está dizendo é que, se nós conseguirmos implantar a Palavra em nosso espírito (por meio da meditação, da oração em línguas, do louvor e da adoração), não precisaremos nos preocupar porque, certamente, e isso é uma lei espiritual, Ele derramará bênçãos sobre nós. E bênçãos tais que não teremos lugar suficiente para guardar. Bênçãos tais "(...) que não crereis, se alguém vô-la contar" (Atos 13:41). Jesus disse exatamente isso, em outras palavras. Ele disse que quando buscarmos (da maneira correta e eficaz) o reino de Deus, "(...) todas as coisas vos serão acrescentadas" (Mateus 6:33).

Sabemos que as promessas de Deus em Jesus são incríveis. Davi nos fala de algumas delas no salmo 103:

"Ele é o que perdoa todas as tuas iniqüidades, que sara todas as tuas enfermidades, que redime a tua vida da perdição, que te coroa de benignidade e de misericórdia, que farta tua boca de bens, de sorte que tua mocidade se renova como a da águia" - Salmo 103:3-5.

Tudo isso foi feito em Jesus. Por meio dEle, somos perdoados de tudo, sarados de toda enfermidade, redimidos (feitos como no princípio do mundo, como se nunca tivéssemos pecado), coroados (recebemos autoridade sobre todas as coisas, vinda de Deus) e supridos. Tudo por causa da obra de Jesus. Como disse o profeta:

"(...) convosco farei uma aliança perpétua, dando-vos as firmes beneficências prometidas a Davi" - Isaías 55:3.

Assim, podemos ter uma idéia do que foi que Jesus fez por nós. Eu disse 'ter uma idéia' porque só viveremos, de fato, nessas promessas, quando nos dedicarmos à praticar a Palavra, a trazer a Palavra para dentro de nós, conforme nos foi instruídos por Deus.

Já passei uma parte da minha vida pensando: 'por que foi que Deus não respondeu minha oração sobre tal assunto, tão de acordo com a Palavra dEle?' Com o tempo eu vim a perceber que era porque eu apenas 'tinha uma idéia' do que significava o sacrifício de Jesus. Eu não conseguia VIVER naquilo que Jesus tinha para mim. Foi então que o Espírito Santo me mostrou que eu não deveria ter pressa. E ainda me mostrou como é que Ele faria para trazer a Palavra para dentro de mim:

"Ora, a quem se ensinará o conhecimento (a Palavra)? (...) Pois é preceito sobre preceito, preceito e mais preceito; regra sobre regra, regra e mais regra, um pouco aqui, um pouco ali" - Isaías 28:9,10.

Não se vive Deus num instante. Deus é eterno e nosso relacionamento com Ele é eterno. O seu ensino é eterno. Por viver 'instantes de Deus' é que existe muita gente mergulhada em sofrimentos sem fim. Jesus nos deu uma Vida para ser vivida o tempo todo e não apenas quando estamos reunidos na igreja ou em algum outro lugar. E também não só quando estamos a sós no nosso quarto. Nesse tempo a sós, nós trazemos a Palavra para dentro de nós para que possamos vivê-la o tempo todo.

E vivendo o tempo todo com Deus, aos poucos, meditando na Palavra que o Espírito nos ensina, orando em línguas, louvando e adorando a Deus, Ele vai trazendo a Palavra para dentro de nós... aos poucos... de fé em fé. Jesus, numa das vezes que ensinou a respeito do Reino de Deus (a Vida que Ele conquistou para nós, aqui na terra), disse:

"(...) O reino de Deus é assim como se um homem lançasse semente à terra, e dormisse e se levantasse de noite e de dia, e a semente brotasse e crescesse, sem ele saber como. A terra por si mesma produz fruto (...)" - Marcos 4:26-28.

Observe que o homem da parábola não faz nenhum esforço para que a semente cresça. Ela vai crescendo "de noite e de dia (...) sem ele saber como". Da mesma forma, o reino de Deus vai crescendo dentro de nós, de noite e de dia, sem que tenhamos nenhuma manifestação na alma, ou seja, nenhuma emoção, ou 'calor', ou outras coisas místicas. Os dias vão passando, vamos orando em línguas, passando tempo a sós com Deus, e o Espírito vai nos instruindo, trazendo a Palavra para dentro de nós, preceito sobre preceito... e um dia aquele problema que tanto nos incomodou, não nos incomoda mais... aquele vício que nos dominava, simplesmente não nos domina mais. Isso é viver na liberdade com que Cristo nos libertou.

Quando ouço as pessoas dizerem que estão 'esperando em Deus' por alguma coisa, fico pensando: 'Será que ela sabe COMO esperar em Deus?'. A impressão que eu tenho é que a maioria das pessoas não saberia o que me responder se eu perguntasse: 'como é que se espera em Deus? o que você faz?'. Pois 'espera-se em Deus' da seguinte forma: feche a porta do quarto, todos os dias durante, digamos uma ou duas horas. Nesse tempo, fique lá dentro, quietinho, orando em línguas, louvando e adorando a Deus e meditando a Palavra. Assim é que se espera em Deus.

Umas das coisas maravilhosas do Evangelho é que ele não depende de nossa capacidade intelectual ou de nossa 'sensibilidade' (alma) às coisas do Espírito. Os resultados aparecem se nós apenas obedecermos o que Deus diz quanto à prática da Palavra: orando todo o tempo no Espírito, louvando, adorando, jejuando e meditando aquilo que o Espírito nos mostra. Mesmo que eu nunca, em toda minha vida, tenha sido ensinado como ouvir a voz de Deus, o Espírito me ensinará, aos poucos, como disse Isaías:

"Pelo que por lábios gaguejantes e por língua estranha falará o Senhor a esse povo, ao qual disse: este é o descanso (...) este é o refrigério (...)" - Isaías 28:11,12.

Esses versículos mostram a importância da oração em línguas para que a Palavra de Deus possa produzir os resultados necessários em nossas vidas. Das práticas que foram deixadas para nós, todas elas importantes, talvez a mais eficaz, e que nos leva a desenvolver todas as outras, é a oração em línguas. Orando em línguas, o Espírito irá nos levar ao louvor, à adoração, à meditação, a jejuns... enfim, irá trazer a Palavra para dentro de nós, na prática, com resultados efetivos.

O profeta nos diz exatamente qual será o resultado de orar em línguas: o Espírito Santo nos mostrará como é o descanso e o alívio que Deus preparou para nós. Ao orarmos em línguas estranhas, Deus nos mostrará, na prática, como viver "a paz de Cristo que excede todo entendimento" (Efésios 3:19).

Observo que a grande maioria das pessoas vivem cansadas. Cansadas por se esconder da violência das ruas, cansadas por cobranças no trabalho, cansadas pelas cobranças da família, cansadas por não conseguirem prover o mínimo necessário para as suas famílias, cansadas por serem escravas de vícios (hábitos lascivos, álcool, cigarro, entorpecentes), cansadas de terem que se vender para conseguir o que comer e onde dormir, cansadas pela solidão em que se encontram, cansadas de enfrentar enfermidades que parecem não ter fim, cansadas pela frustração de não realizarem seus sonhos e, principalmente, cansadas por não conseguirem mudar a si mesmas (que seria a solução de toda a situação problemática em que que encontram).

É importante notarmos que o ser humano não consegue se libertar dessas coisas facilmente. Algumas pessoas conseguem até controlá-las, às custas de muito esforço e auto-disciplina, e acabam se tornando sentinelas de si mesmas 24h por dia, vigiando seu próprio comportamento, com medo de voltar à fraqueza a qualquer momento. Mesmo que esse tipo de condição, de 'liberdade vigiada', seja melhor que a condição em que se encontravam, isso não é o descanso de Deus. Não é paz. Quando Deus disse "esse é o descanso", Ele não estava brincando. É interessante que Jesus tenha dito "Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei" (Mateus 11:28). "Vinde a mim", para quê? Para que Jesus nos alivie, mostrando-nos, na prática, o descanso dEle, a paz dEle.

Quando oramos em línguas, o Espírito Santo traz a Palavra para dentro de nós, de maneira que ela promova mudanças. E são essas mudanças que irão nos proporcionar a paz. É crendo na Palavra e discernindo, corretamente, qual é a vontade de Deus, que temos paz. Por exemplo, se o serviço de meteorologia tivesse 100% de eficácia e, durante uma chuva, ele divulgasse que, dentro de 15 minutos, o dia passaria a ser ensolarado, você não sairia sem guarda-chuva? Mesmo estando chovendo no momento? Pois o Espírito nos leva a crer na Palavra desta forma. Descansamos porque cremos na Palavra. Passamos a não nos importar se vem sobre nós uma grande opressão, ou falta de paz, porque sabemos, por exemplo que está escrito: "A minha paz vos dou" (João 14:27). Então declaramos (dizemos) essa verdade e conseguimos descansar, porque o Espírito edificou a nossa fé a ponto de crermos no que Deus diz.

É de suma importância que atentemos ao fato de que, até agora, apenas tudo o que foi dito até aqui é promessa de Deus. Nada foi conseguido com nosso esforço próprio. Nada fizemos para merecê-lo. Deus nos deu a salvação por Jesus Cristo e faz parte dessa salvação, instrumentos que  eliminem a nossa condição interior deformada e desenvolvam, em nós, a nossa nova condição em Cristo Jesus. Recebemos, de graça, uma nova condição. É preciso viver essa nova condição e isso não se consegue 'fazendo coisas' moralmente boas. Consegue-se viver essa nova condição, deixando Deus conduzir em nós as mudanças necessárias. Não é pagando dízimos, ou circuncidando as crianças ao oitavo dia, ou sacrificando um cordeiro de vez em quando que conseguimos que a Palavra produza resultados reais em nossas vidas.

Alguém pode dizer: 'Mas Jesus não disse que deveríamos dizimar, em Mateus 23:23?'

Vejamos:

"Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Porque dais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho, e tendes omitido o que há de mais importante na lei, a saber, a justiça, a misericórdia e a fé; estas coisas porém, devíeis fazer, sem omitir aquelas" - Mateus 23:23.

Sim, Jesus está dizendo para os fariseus, homens que viviam no regime da lei, que deviam pagar o dízimo assim como fazer todas as coisas que estão na lei. Isso porque eles viviam no regime da lei de Moisés!!! Justamente por isso, deviam cumprir toda a lei. Nós não vivemos no regime da lei de Moisés. E mais, esta ordem de Jesus vale até hoje, para todos aqueles que querem viver no regime da lei de Moisés. Jesus está falando exatamente a mesma coisa que Paulo disse aos Gálatas: "E de novo protesto a todo o homem, que se deixa circuncidar, que está obrigado a guardar toda a lei." (Gálatas 5:3).

"(...) o Espírito da Verdade (...) não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará o que há de vir" - João 16:13.


E não podia ser diferente, porque o mestre mesmo nos disse que quando o Espírito viesse, Ele falaria de tudo o que tivesse ouvido. Esse mesmo Espírito veio, e habitou em Paulo. E habita hoje dentro de qualquer pessoa que o peça a Deus:

"Pois se vós, sendo maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais dará o Pai celestial o Espírito Santo àqueles que lho pedirem" - Lucas 11:13.

E por que Deus dá esse Espírito "àqueles que lho pedirem"? Porque "isto é bom e agradável diante de Deus nosso Salvador, que deseja que todos os homens se salvem e venham ao conhecimento da Verdade" (1 Timóteo 2:3,4).

Finalmente...

Uma das responsabilidades que sempre pesou sobre mim, na minha vida cristã, foi a de que a Palavra se concretizasse onde quer que eu estivesse. Essa responsabilidade era quase uma opressão. Eu imaginava que seria pelo meu esforço e auto-disciplina que eu edificaria a minha fé, a ponto de a Palavra se tornar Vida. E então, onde eu estivesse, os enfermos seriam curados, as pessoas teriam paz etc. Tudo porque eu, supostamente, teria me esforçado e estudado bastante a Palavra, para transmitir Deus para as pessoas. E nem preciso comentar qual era o sentimento de incapacidade e frustração comigo mesmo quando nada disso acontecia. Mas esse versículo de Malaquias me diz que essa responsabilidade não é minha. Deus está dizendo, ali, que se a primeira parte do versículo (Trazer a Palavra para dentro de mim) for cumprida, a segunda (o derramamento das bênçãos) será, com certeza, cumprida, porque é uma promessa de Deus e sabemos que Ele zela pela Palavra dEle.

Observe um pouco mais atentamente a segunda parte de Malaquias 3:10: "(...) até que não haja lugar suficiente para a recolherdes". Ele diz que não haverá lugar suficiente, para recolher a bênção que Ele há de derramar. Não haverá lugar... nesse momento, veio ao meu espírito, uma imagem de um copo onde as bênçãos estão sendo derramadas. Mas o copo se encheu e você pode imaginar o que aconteceu... começou a transbordar. Deus não prometeu somente que nos abençoaria. Prometeu que nos abençoaria tanto que não teríamos onde guardar as bênçãos. Nós somos como um copo vazio, que Deus começa a encher. E seguimos orando em línguas e Deus vai nos enchendo, preceito sobre preceito, preceito e mais preceito. Até que chegamos a um ponto onde nos tornamos um copo cheio. Mas Deus não pára de nos encher. É quando começamos a transbordar. O motivo pelo qual muitas vezes não vemos a glória de Deus fluir através de nós é porque ainda não temos o suficiente de Deus nem para nós mesmos. Mas não há motivos para preocupações. A promessa de Deus é que isso irá acontecer. Basta que continuemos praticando a Palavra. Veja o que Jesus disse à mulher de Samaria:

"Quem crê em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva" - João 7:38.

Jesus disse que quem crer como diz a Escritura... será um canal de Deus aqui na terra. Mas temos que crer como diz a Escritura. A Escritura fala de todos os benefícios prometidos a Davi. Fala das práticas do evangelho. Temos que crer dessa forma. E a forma de crermos é vivermos. Termos fé com obras (atitude, comportamento), ou seja, crermos e agirmos de acordo com o que cremos. Mas tenha muito cuidado com aquilo que você julga crer. A fé, genuína, produz resultados. A esperança, que muitos de nós confundimos, várias vezes, com fé, não produz resultado algum.

A fé que produz resultado é baseada nas práticas que possibilitam ao Espírito revelar a Palavra de Deus em nosso íntimo. De nada adianta alguém me ensinar que Deus me sustenta, se o Espírito não criar, em mim, a condição para eu crer nisso. Eu posso até entender o que a pessoa disse e posso até concordar com ela, com base no que está registrado na Bíblia. Mas isso de nada me servirá se eu não deixar o Espírito implantar a Palavra da Verdade em mim. Ele é a única pessoa, designada por Deus, para me ensinar a Palavra. Os homens podem me despertar para a Palavra, mas somente o Espírito pode me ensinar, de forma que eu possa aplicá-lA para sair dos problemas em que me encontro. Isso é se encher das bênçãos de Deus.

Outro aspecto que percebi, enquanto Deus me ensinava o que escrever neste texto, é que o registro da Palavra de Deus, a Bíblia, foi deixado para cada um de nós, individualmente, não coletivamente. Creia que tudo o que está escrito para nosso ensino poderia começar com algo como 'Juliano...' ou 'Adriana...'.

Por exemplo, quando eu leio Malaquias 3:10, após o Espírito me ensinar um pouco a respeito dele, eu o ouço ensinando, dentro de mim: Juliano, medite na Palavra e ore em línguas, para que Ela seja vivificada em seu espírito, para que você tenha Vida, e, depois, quando essa bênção não couber mais em você, observe como fluirá, através de você, para outras pessoas.

Não adianta achar que Palavra que Deus nos fala, nos nossos momentos a sós, é para outra pessoa. Temos a mania de pensar: 'Isso aqui cai como uma luva para fulano'. Não! Quando eu medito na Palavra, aquilo que Deus me fala é exatamente para mim. Eu é quem preciso saber daquilo. Mesmo que eu, segundo, meu julgamento, não ache que aquilo seja necessário para mim. Mas Deus sabe todas as coisas, inclusive coisas sobre mim que eu mesmo me recuso a aceitar. Posso até compartilhar com os outros uma coisa que Deus me ensinou. E pode até ser que Ele queira ensinar aquela pessoa também, a respeito daquele assunto. Mas, naqueles momentos a sós, em que Ele me revelou a Palavra dEle, era eu quem precisava daquela revelação.

Deus não tem um discurso pronto, como acontece muitas vezes nos púlpitos das igrejas. Ele sabe o que dizer, qual é a minha necessidade imediata, o que é exatamente que eu preciso ouvir em cada momento, para a minha edificação (individual) no Corpo de Cristo. Se tudo correr bem e eu aceitar a instrução do Espírito, serei uma boa junta, que auxilia no bom funcionamento da Igreja de Cristo na Terra.

Para terminar, alguém pode dizer: 'mas... lá na minha igreja, como é que vamos pagar as contas de luz, telefone, casa para o pastor etc, se não cobrarmos os dízimos?'

De quem é a obra? Nossa, ou de Deus? Se é nossa, nós temos que pagar todas as contas. Quando Jonas resolveu agir por conta própria e fugiu para Tarsis, para não fazer aquilo que Deus tinha ordenado a ele, observe o que aconteceu:

"(...) E descendo a Jope, achou um navio que ia para Tarsis. Pagou pois a sua passagem (...) " - Jonas 1:3.

Jonas havia tomado uma decisão por conta própria. Resolveu não seguir a orientação de Deus. Assim sendo, ele "pagou a sua passagem". Não espere que Deus pague as contas de decisões que você toma sem a orientação dEle. Quando seguimos a orientação de Deus, nada nos falta. Observe:

"E disse-lhes (Jesus): Quando vos mandei sem bolsa, alforje, ou alparcas, faltou-vos porventura alguma coisa? Eles (os discípulos) responderam: Nada" - Lucas 22:35.

Se precisamos pedir alguma coisa a homens, para nós mesmos, é porque estamos agindo por conta própria. Quando Deus manda alguém fazer alguma coisa, Ele mesmo paga todas as contas. Claro que pode ser ser através das pessoas. Mas não através da imposição de dízimos. Jesus não impôs dízimos a ninguém. Quando as pessoas são usadas por Deus para abençoar as outras financeiramente, esse desejo de participar vem do Espírito, não da alma, não para receber algo em troca (uma recompensa material). Simplesmente a pessoa contribui, com toda liberalidade (liberalidade é agir por decisão própria, não coagida por alguma norma ou pessoa), e sente-se gratificada e completamente realizada apenas pelo fato de poder contribuir. E isso pode acontecer muitas vezes, todos os dias, como pode acontecer uma vez em vários anos. Tudo depende do coração de cada um e da orientação do Espírito. Mas pode ter certeza: Nunca faltará nada para aqueles que andam segundo a orientação de Deus.

Todas as coisas vêm de Deus e são para a glória dEle. Ele nos deu Vida quando estávamos mortos. Somos dEle. Essa é a nossa oferta aceitável ao Senhor.